O TREMENDISMO

De cada vez que António Barreto, Ernâni Lopes e Medina Carreira abrem a boca, a direita tem um delíquio. Ouvir homens que foram de esquerda, e estão hoje ao centro, defender políticas que a direita supõe serem do seu interesse, reacende nela a nostalgia do sidonismo. Qualquer dos três tem as “competências” (e a autoridade) que faltam aos líderes da direita. Barreto e Medina foram militantes do PS e ministros de Soares antes de abandonarem o partido. Lopes não sei se militou, nem onde, mas foi ministro das Finanças e do Plano num governo de Soares, entre Junho de 1983 e Novembro de 1985. Propondo coisas diferentes, os três questionam a governação dos últimos quinze anos: o ocaso de Cavaco, Guterres, Barroso, Santana, Sócrates. Mas nenhum quis ou quer ir a votos. Falar de cátedra sempre impressionou os indígenas. Sem parar um minuto para pensar, a generalidade dos media faz eco de coisas diferentes como se fossem iguais. Exemplo notório, os grandes investimentos públicos. Barreto e Medina são contra. Nem mais um tijolo. Lopes, porém, sendo contra o TGV, defende a construção do novo aeroporto de Lisboa. E ainda há menos de dois meses Lopes defendia uma coligação do PS com o PSD (cf. Público de 19 de Setembro). Nenhum dos três desce do Olimpo à rua.
Lendo-os, ouvindo-os, é fácil deduzir o que querem. Querem pôr isto na ordem. De preferência por aclamação. A catorze meses das eleições presidenciais, é talvez chegada a altura de se decidirem. Se, como dizem, o que os move é o interesse de Portugal, devem ser consequentes. Juízos tremendistas para alimentar headlines não levam a lado nenhum. Ide a votos, de uma vez por todas.
Lendo-os, ouvindo-os, é fácil deduzir o que querem. Querem pôr isto na ordem. De preferência por aclamação. A catorze meses das eleições presidenciais, é talvez chegada a altura de se decidirem. Se, como dizem, o que os move é o interesse de Portugal, devem ser consequentes. Juízos tremendistas para alimentar headlines não levam a lado nenhum. Ide a votos, de uma vez por todas.
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