
Crónica no DN de ontem:
http://dn.sapo.pt/2007/04/05/opiniao/menos_mil.html
Menos 13 mil!
Ruben de Carvalho
Jornalista
rubencarvalho@mail.telepac.pt
O DN de ontem inseria uma notícia que dava conta do facto, aparentemente surpreendente, de nos últimos dez anos o sector bancário português ter perdido 13 mil postos de trabalho, uma enorme quebra superior a 20%.
Não estamos face a um sector em crise - os lucros fabulosos estão aí para o de-monstrar -, embora, em contrapartida, seja seguramente das áreas económicas onde o peso da informatização e o recurso a novas tecnologias têm sido mais vastos, com as habituais consequências no emprego.
Mas registe-se que, ao mesmo tempo que se verifica esta brutal diminuição de trabalhadores, a rede de balcões das principais instituições bancárias aumenta, com necessidades que não podem dispensar o factor humano directo. Sabe-se, aliás, que, a par e passo com a multiplicação de cartões, o aumento de balcões é um factor lucrativo para a actividade bancária, uma vez que diminui a movimentação por levantamento real de numerário, mantendo a capacidade de dispor dos depósitos enquanto as operações quotidianas se virtualizam cada vez mais.
Todo este quadro mereceria um comentário mais aprofundado, não limitado apenas ao sector bancário ou à realidade portuguesa, e que aprofundasse a perversa mentalidade gerada pelo mercado bolsista que faz dos despedimentos um factor de valorização de cotações: uma empresa revela dificuldades, na semana seguinte, sem que tal corresponda a qualquer efectiva reestruturação ou mudança real de gestão, anuncia o sacrifício de uns milhares de postos de trabalho - e imediatamente as suas acções se vêem valorizadas, com os correspondentes lucros! Acrescente-se que em todo o mundo o sector bancário é daqueles onde as operações de redução de postos de trabalho se fazem de forma mais brusca e mesmo brutal: vulneráveis, por um lado e obviamente, ao sigilo e tendo, por outro lado, e exactamente pela informatização, o seu pes- soal especial acesso aos dados e processos operativos, a prática é o trabalhador saber que foi despedido quando, de manhã, se senta ao computador e verifica que a sua password foi cancelada e lhe é ordenado que se apresente no departamento de pessoal - para ser despedido ipso facto!
As relações entre o capital e o trabalho continuam, de facto, a não ser fáceis...
Não costumo concordar com Ruben de Carvalho mas ele tem , desta vez , toda a razão. O texto é válido também para a EDP ou para a PT, que têm lucros faraónicos para os accionistas, aumentando o desemprego e degradando o seviço e os bens , dos mais caros da Europa, que oferecem aos clientes em quase monopólio ou cartel , contribuindo negativamente para a economia do País.
Gestão deste tipo até a minha avó analfabeta fazia!!!
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