quinta-feira, novembro 24, 2005

AHMAD LEVI

15.

A torrente de palavras
que te alaga o olhar,
nesse lugar outro onde habitas,
tu a derramas
nas páginas brancas dos teus poemas.
Sementes em excesso
para que, pelo menos uma,
um dia, em alguém,
possa ainda germinar,
e um outro poema
de ti,
em alguém,
ganhe vida
e te renasça.

16.



Fabricas poemas
no silêncio fértil e dorido
do teu tempo.
Abres grandes janelas
no teu quarto pequenino
para que te toque
um outro vento.
O vento largo de outros mundos
com a força de seres
o que não és,
na vida que não partilhas contigo.


17.


Noite já, a tua noite,
no teu dia,
por fim, adormecido,
o teu regaço de silêncio.
Na penumbra da tua casa
procuras
a semente dos teus versos
nos recantos mais profundos
das tuas sombras,
hos braços que te estendes
Ao interrogares
os pedaços dispersos do teu tempo.

Sem comentários: