quinta-feira, março 30, 2006

VASCO GRAÇA MOURA

Com a sua proverbial cegueira política, acompanhando esse político genial que é Marques Mendes, Vasco Graça Moura no Diário de Notícias faz bolas de sabão que, como já vai sendo hábito, lhe vão rebentando na cara



“........Encontrei na Internet um documento interessantíssimo intitulado "Bolas de sabão: preparação, estrutura e propriedades", da autoria de Mário Nuno Berberan e Santos e Clementina Teixeira, do IST, com receitas para a preparação e rubricas como "para soprar e fazer bolas pequenas e médias" ou "para fazer tubos e bolas gigantes" e também com breves historiais da bola de sabão… antes e depois do Euro, referências a forças intermoleculares, tensões superficiais de líquidos, caracterizações químicas dos agentes tensioactivos, análises da estrutura e propriedades (de Newton à modernidade), referência a um outro quadro que nunca vi, de Mignard (1674), em Versailles, explicação da formação das cores, incidência e refracção das ondas de luz, equações algébricas, etc., etc…, tudo o que, sem o saber, como acontecia com a prosa de Monsieur Jourdain, nós provocávamos quando em pequenos fazíamos bolas de sabão. Mas não se pense que esta análise científica mais dura perturba o sentimento de divagação poética dos autores. Logo na primeira página se lê esta bela epígrafe também com o seu toque de Proust: "Bola de sabão, memória indelével da infância. Efémera esfera furta-cores feita de coisa nenhuma. Soprada para o ar, abandona-se à brisa e às correntes. Ao menor toque, ou por puro capricho, desfaz-se silenciosa em ínfimos salpicos."Mas porque é que eu me terei agora posto para aqui com estes devaneios, reminiscências, divagações, buscas do tempo perdido? Pensei, pensei, e acabei por perceber que tudo isto me veio à cabeça a propósito dos sucessivos anúncios pelo Governo de catadupas de medidas que nos vão, finalmente, tirar da cepa torta. Estão a ser alegremente lançadas para o ar, não às dúzias e dúzias, mas às grosas e grosas, essas bolhinhas governamentais, transparentes e vazias, "claras, inúteis e passageiras", como dizia o Caeiro, que "são translucidamente uma filosofia toda".O Governo aprendeu a fazer bolas de sabão.”

A ler na totalidade, pela sua qualidade literária, em:

http://dn.sapo.pt/2006/03/29/opiniao/as_bolas_sabao.html


DN 29 de Março de2006

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