sexta-feira, janeiro 23, 2009

QUEM TEM BANQUEIROS TEM CADILHES OU ...O SUPER EGO!

O furibundo dr. Cadilhe

Miguel Cadilhe foi ao parlamento arrasar o Governo e o Banco de Portugal - e quase todos os nossos ilustres deputados abanaram a cabeça, como se a verdade do ex-ministro das Finanças de Cavaco Silva fosse a única e à prova de bala.

Ora o dr. Cadilhe tem razões que a razão conhece: está furibundo porque lhe nacionalizaram o banco que ele se considerava capaz de salvar. Pode ou não ter razão. Nunca o saberemos. O que sabemos de ciência certa é que o dr. Cadilhe queria 600 milhões do Estado, a remunerar a uma taxa baixíssima e com um largo período de carência para atingir o seu desiderato. O ministro das Finanças entendeu que esse não era o plano que melhor defendia os contribuintes. A seu favor Teixeira dos Santos tem o facto da Caixa Geral de Depósitos já ter metido na instituição praticamente o dobro do que Cadilhe pretendia. Conclusão: ou o dr. Cadilhe é um supergestor ou as contas que elaborou estavam dramaticamente erradas.

Diz o dr. Cadilhe que houve motivos políticos que levaram o Governo a decidir-se pela nacionalização. Lamentavelmente, não explicou quais. Era para proteger quem? O dr. Dias Loureiro? O genro do sr. Aznar? A Presidência da República? Seria muito bom que Cadilhe dissesse o que leva um Governo do Partido Socialista a proteger um conjunto de pessoas, por acaso todas ligadas ao Partido Social-Democrata.

Atira-se o dr. Cadilhe à supervisão, que terá falhado de forma grave e demorada. Primeiro, recordemos o dr. Cadilhe que ele integrou a administração do BCP, onde nas suas barbas terão sido criadas 17 off-shores e feitas várias operações ilegais de compra de acções próprias, sem que alguma vez tenha dado por isso. Extraordinário!

Com a convicção que o caracteriza, o dr. Cadilhe avoca para si a glória de ter colocado ponto final a todas as malfeitorias no BPN, de ter elaborado o inventário dos prejuízos, de ter feito a denúncia às autoridades. Aqui, mais uma vez, os nossos deputados esqueceram-se de lhe perguntar como é que então comentava as palavras do procurador-geral da República, ouvido na mesma Câmara, segundo as quais foram as denúncias entregues pelo Banco de Portugal que permitiram ao Ministério Público avançar nos processos contra a administração do BPN, que concluíram na prisão preventiva de Oliveira Costa. E os nossos deputados esqueceram também o que Vítor Constâncio lhes provou: que foi Abdool Vakill, através de uma carta enviada a 2 de Junho de 2008 ao Banco de Portugal, que confirmou que o Banco Insular pertencia ao BPN e que existia um balcão virtual, por onde se terão escoado €750 milhões em operações fraudulentas. E que por carta de 4 de Junho, o Banco de Portugal obrigava o BPN a meter toda esta situação no balanço e a certificar as contas através de um auditor externo.

Queixa-se o dr. Cadilhe que o Banco de Portugal o deixou tomar posse sem o avisar do que ia encontrar no BPN. Esquece-se o dr. Cadilhe que o BdP não o podia informar de nada que se passava no banco antes de tomar posse, sob pena de falha legal grave, em matéria deontológica e de sigilo profissional. Mas ou estamos enganados ou Oliveira Costa é amigo e foi secretário de Estado do dr. Cadilhe, quando este foi ministro das Finanças? Não lhe telefonou? E os accionistas que o convidaram não lhe disseram nada? E porque nunca falou o dr. Cadilhe com o anterior presidente, Abdool Vakil? Isso sim, não é uma falha gravíssima?

O problema é que o dr. Cadilhe, que tinha perdido as eleições para dirigir o BCP, estava desejoso de mostrar ao mundo em geral, e a Portugal em particular, as suas enormes qualidades como banqueiro e tinha a certeza absoluta de que conseguiria tirar o banco do buraco onde ele estava, fosse o que fosse que lá encontrasse.

Como as coisas não correram como planeou, o dr. Cadilhe está furibundo e dispara para todos os lados para provar que, com ele à frente da instituição, o futuro seria radioso. Infelizmente, não vai ser possível comprovar as certezas do dr. Cadilhe. Mas com tantos bancos em situação periclitante, é de esperar que dentro em breve o dr. Cadilhe volte a ser chamado a salvar uma instituição. E aí é que o mundo vai ver a injustiça que contra ele foi feita no caso BPN!


Nicolau Santos no Expresso!

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