terça-feira, fevereiro 17, 2009

OPORTUNISMOS ANTI-FASCISTAS!

A URAP (União de Resistentes Antifascistas Portugueses) realizou recentemente uma Assembleia Geral. Entre as várias posições adoptadas, tratou-se do Forte de Peniche (a principal prisão política da ditadura, de que se projecta a sua transformação em Pousada de luxo) e do Tribunal da Boa-Hora (onde funcionaram os tribunais plenários em que eram condenados os resistentes à ditadura e para o qual se projecta transformar-se em hotel “de charme”).
Relativamente à Boa-Hora, a URAP é contundente:
Na assembleia-geral foi aprovada uma moção de repúdio contra a intenção do Governo em vender o Tribunal da Boa Hora e transformá-lo em «hotel de charme», o que, considera a URAP, seria «imperdoável no que toca ao dever de preservação, por parte do Estado, do património nacional e de defesa da memória», já que, acrescentam, «a Boa Hora representa ainda um testemunho da actividade do Tribunal Plenário onde foram julgados e condenados muitos antifascistas»
Já quanto ao Forte de Peniche (em que, indubitavelmente, a perfídia do regime ditatorial está melhor representada e susceptível de demonstração memorialista mais eficaz para com as gerações que não viveram o fascismo), a URAP apenas refere os “esforços mobilizados para a edificação do Museu da Resistência na Fortaleza de Peniche” (ou seja, um espaço museológico que coabite com a projectada Pousada de luxo).
O que separa assim uma indignação para com a profanação de um espaço judicial onde (numa das suas salas, portanto uma pequena fracção de todo o edifício) eram julgados os presos políticos de uma contemporização para com uma outra profanação, a do local (todo o espaço do Forte) onde os mesmos presos foram encarcerados e cumpriram longas penas de prisão? Pois, a denúncia da reconversão da Boa-Hora serve para malhar no governo e em Peniche manda uma autarquia que é “amiga” porque governada pela CDU.



Publicado por João Tunes às 01:25 no blog ÁGUA LISA

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