Se Marcelo Rebelo de Sousa fosse apoiante do PS (ou tivesse outro nome, como António Vitorino, por exemplo) seria alvo de incessantes ataques de ódio. A televisão que o quisesse contratar passaria a automático antro de sinistros elementos do Gabinete de Sócrates. O seu isolado protagonismo seria evidência espectacular dos tentáculos desse centro secreto (onde precisamente se utilizam técnicas dos serviços secretos, como o Pacheco teve a extraordinária coragem de revelar e nós, em sua homenagem, devemos fazer o extraordinário esforço de repetir) que amordaça Portugal e impõe um regime de terror. Assim, como é apoiante do PSD, reina a paz e a tranquilidade entre a boa, séria e superiormente honrada gente da direita. Os socialistas, pacholas como sempre, não se importam, até apreciam as capacidades histriónicas de mais um Professor social-democrata.
Entretanto, houve um pequeno tumulto nesta modorra. Pedro Mota Soares apareceu desasado a lembrar que Marcelo é Conselheiro de Estado nomeado pelo Presidente da República, pelo que devia, por uma vez – neste último domingo antes da eleições -, ser isento. E ser isento, para esta peculiar cabeça, passava por não atacar um partido que tinha apoiado Cavaco. Caso Marcelo apelasse ao voto útil no PSD, explicou com o apoio de Portas, estaria acto contínuo a atacar o CDS. Naco de pensamento mais primário do que este não me recordo de encontrar na memória recente.
É assim a nossa direita. Um coio de hipócritas que enche a boca com a responsabilidade, contenção, equidade e imparcialidade se vê os seus interesses ameaçados, e desbunda privada e alarvemente quando consegue favorecimentos que acha serem seus por direito natural.
Do Blog ASPIRINA B
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