Por exemplo, eis um pedacito do que estes paradigmas da honestidade intelectual escreveram nas vésperas de um acto eleitoral:
O País sofre diariamente os maus exemplos que chegam de cima e nenhuma sociedade pode resistir por muito tempo ao impacto negativo dos comportamentos desviantes da ética da verdade e da responsabilidade. A pedagogia do bom governo não é apenas um factor de credibilidade das instituições democráticas, mas uma bitola permanente para o comportamento dos cidadãos. O exemplo é sempre um factor superior do funcionamento das sociedades democráticas mais avançadas e não pode ser menosprezado.É difícil discordar, mesmo sem compreender patavina do parágrafo. A expressão ética da verdade e da responsabilidade fica bem em qualquer texto, em qualquer entrevista, em qualquer almoçarada. E mesmo para mudar um pneu a meio da noite e a chover, se à vista desarmada não parece de grande ajuda, seguramente que é uma expressão que não atrapalha o processo e até pode servir de alento na ocasião. Por isso, sim. Portanto, pois. Toca de alertar a malta para esse perigo que ameaça a sociedade. E venham os exemplos. Os exemplos exemplares. Aqueles exemplos que só homens (não há mulheres a botar faladura na SEDES, pois continua a ser preciso que alguém esteja a preparar o jantar enquanto decorrem as sessões de laboriosa reflexão) veramente exemplares estão em condições de dar ou, não tendo tempo para tal, em condições de validar através dos seus exemplares juízos a respeito.
Que irá a SEDES dizer, então, deste actual Governo que prometeu o branco e aplica o preto, que diz aos portugueses para emigrar e aos militares para desertar, que repete ser necessário empobrecer tudo e todos à excepção dos seus amiguinhos e que castiga o povo com a arrogância dos brutos e a soberba dos celerados? De que modo esta postura fanática se enquadra na ética da verdade e da responsabilidade que a SEDES generosamente tinha vertido com tanto afinco até às últimas eleições para educação das massas e salvação da Pátria?
Em Fevereiro de 2008, a SEDES saiu a terreiro para denunciar um siciliano “difuso mal-estar” que estaria a pôr em causa a coesão nacional. E pudemos até ler esta profecia:
O mal-estar e a degradação da confiança, a espiral descendente em que o regime parece ter mergulhado, têm como consequência inevitável o seu bloqueamento. E se essa espiral descendente continuar, emergirá, mais cedo ou mais tarde, uma crise social de contornos difíceis de prever.Só foi pena que o poderio intelectual da SEDES, e a sua “ética da responsabilidade” que chega a fazer inveja à do Criador, não tivesse complementado o aviso com esta pequena informação: o voto em Cavaco e o voto em Passos Coelho seriam os meios mais rápidos para chegar à temida crise social de contornos difíceis de prever. Na próxima Tomada de Posição, é favor incluir esse tipo de pormenores para termos ainda mais razões para ficarmos agradecidos aos magníficos pensadores que se sacrificam por nossa causa em salas de reunião, quiçá também em restaurantes e bares de hotel, onde a SEDES marca a sua preclara presença.
Do Blog ""ASPIRINA B"
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